quarta-feira, janeiro 28, 2004

Luís

Os bons vi sempre passar
Na vida graves tormentos;
E para mais me espantar,
Os maus vi sempre nadar
Em mares de contentamento.
Cuidando alcançar assim
O bem tão mal ordenado:
Fui mau, mas fui castigado.
Assim que, só para mim,
Anda o mundo concertado.

G, o revivalista

Luar de Janeiro não tem parceiro

Mas lá vem o de Agosto que lhe dá no rosto.

G, o astrónomo

terça-feira, janeiro 27, 2004

Já falta pouco

Sempre que aconteceu ou acontece algo de importante e mau, Sampaio lá vem, aborrecido, declarar que "está preocupado", ponto final, e lá vai ele a sua vida. Desde que foi eleito que faz isto, apesar de só eu ter dado conta. Mas as mensagens subliminares pelos vistos funcionam e já ouve o primeiro fruto desta insistência exemplar do presidente: A Protecção Civil de Setúbal, perante o facto irremediável de estarem condenados, tal como Lisboa, a um destruidor terramoto, em vez de dizer qualquer coisa como "resta-nos rezar, que mais poderemos fazer?...!" declarou solenemente: "Estamos preocupados" e pôs um ponto final no fim. Assunto resolvido, segundo as mais altas regras de boa práctica política portuguesa. Assunto resolvido.

G, o eleitor

Piada

Sua Excelência o Presidente da República Portuguesa ficou afónico, aqui há dias. Foi Deus com certeza, mas não sei qual seria o Seu desígnio: dar-nos uma folguinha ou ajudar o presidente a conseguir o momento mais alto do mandato?

G, o preocupado

quinta-feira, janeiro 08, 2004

Astronomia

Não tive a sorte de ver a fireball que atravessou os céus da península, assustando quase toda a gente. Ainda não consegui saber se caiu ou não alguma coisa, cá em Portugal. Em Espanha, caiu. Eu penso que este meteoro é de origem humana. Lixo espacial ou alguma asneira -que podia ter dado para o torto- de militares. Fiquemo-nos com o espectáculo!
(Quem apareceu na TV, entrevistado sobre o assunto? O Tubarão! (O Srº Eng. Paulo Villaverde; Está velho, raios partam).
A coisa mais bela que se pode ver nos céus continua a ser, de longe, Saturno. Agora é uma óptima oportunidade, pois ele, vaidoso, está com os anéis inclinados de modo que se vê lindamente em toda a sua misteriosa e longínqua beleza.
Deve ser pecado morrer sem nunca ter espreitado Saturno.

G, o astrónomo

Ano Novo, tudo igual

O ano novo começou com um acidente de comboio. Desta vez, taxista versus comboio. Ganhou o comboio. Por esta altura penso que até os mais renitentes já se aperceberam de que é de facto extraordinária, a quantidade de acidentes de comboio.
(Se quiserem podem enviar-me notícias de outros acidentes).

Feliz ano novo.

quarta-feira, dezembro 03, 2003

Vitor Hugo Salgado

O presidente cessante da associação académica de Coimbra tem a minha admiração. É, para mim, o último dos líderes estudantis. (espero que não, que o seu exemplo seja seguido)
Acabei de mandar um email para Acabra, o jornal da associação, dando a seguinte ideia:
Todos em fila a pedir para "prestar declarações" e declarariam um a um, "fui eu quem atou o cadeado, prendam-me." Estão a ver?
Uma bela despedida a um grande presidente de associação académica.

G, o estudante

A paranóia do tempo

Houve um tempo em que o Homem não tinha maneira de medir o tempo. Ele já tinha o conceito de tempo; Já o sabia avaliar (pela observação de acontecimentos específicos) mas não tinha maneira de o medir. E começou a corrida para inventar relógios. Para níveis superiores ao atómico essa corrida está terminada. A medição do tempo é, nos nossos dias, correcta e pública para todo o planeta. Não só isso como toda a nossa vida é agora feita em função dos relógios. Não é de estranhar pois que estejamos rodeados de relógios por todo o lado. Por todo o lado, mesmo. O que é de estranhar é a enorme quantidade de publicidade a relógios, daqueles caros, que se pode encontrar nos media, e que corresponde sem dúvida a uma enorme quantidade de relógios, daqueles caros, vendidos. Dado que estamos rodeados de horas certinhas por todo o lado, quem é que compra tal produto tão evidentemente obsoleto? E que nos diz este facto acerca da natureza humana? Vejamos com factos ao que me refiro: Consideremos a Visão. Seja, aleatoriamente o nº 559 de Nov. 2003. Anúncios de página inteira ,temos: Longines - long jeans, calças compridas Panerai - o preferido dos pane.. Hublot - para os filósofos Boss, Hugo Boss - para os que gostam de dizer o nome à Bond, James Bond GP, Gerard-Perregaux - para os que apreciam fórmula 1 Audemar Piguet - para os criadores de galinhas Zodiac - para os signos de Ar Breitling - para os antigos pilotos, de 1884, perdidos no Triângulo das Bermudas Rado - para os que não sabem dizer os ii Zeno-Watch Basel - para os amblíopes Cross Engineering - para os adeptos da micromecânica que não sabem escrever micromecânica Swatch - para os que gostam de andar com os pertences de outrém.  Encontramos ainda, em meia-página: Oris - para os amantes de rotores vermelhos e finalmente, num modesto mas presente quarto de página: Certina - o preferido pelos executantes de concertina. São 14 no total. Muito mais material do que o usado em mulheres semi-nuas. Deve haver aqui qualquer coisa de errado. Façamos um exercício de imaginação: Imaginemos o suposto cliente destes objectos. Lá está ele, como eu o vejo, sentado no seu local de 'trabalho', sem dúvida um galho de um qualquer instituto desses cuja existência ninguém jamais desconfiará sequer, a ler os reclamos de revistas. Tem o seu relógio de pulso. Não é de todo impossível que, perdido algures nas sua calças, exista também um relógio de bolso, esquecido. Tem o relógio de parede. Há um de secretária, de cristal, muito giro. Tem o do telemóvel e o do computador. A tv tem relógio. O rádio tem relógio, a calculadora tem relógio. Toda a gente que por ali passa está carregadinha de horas certas. E contudo ele vai olhando com indisfarçada cobiça os anúncios da revista que tem em mãos. (Se for uma revista portuguesa - e claro que é, pois o nosso herói não sabe outra língua (aprouvesse aos céus que soubesse português, que também não é o caso) - terá que chegue até ao almoço. Não compreendo isto. tenho a sensação de que me está a escapar algo, ou, o que é pior, de que estou a perder tempo. G, o pontual

Métodos

Provavelmente depois de terem lido o meu post anterior (não se esqueça de que é melhor ler este blog de baixo para cima porque é essa a ordem cronológica) os soldados no Iraque parecem estar a começar a reagir. Começam a carregar-lhes a sério que é o que é preciso - ou declararem vitória e irem para casa, que também não estaria mal.

G, o cruzado

quinta-feira, novembro 13, 2003

Vergonha

Lastimo verificar que, desta vez, as odiosas ameaças de saddam revelaram-se honestas: Jamais o venceremos [com os métodos actuais].
Por cada homem que morre constantemente, inutilmente, desonrosamente às mãos daqueles cretinos, os nossos antepassados dão uma volta nas tumbas.

G, o envergonhado

sábado, novembro 01, 2003

Sabedoria

Para vossa edificação: 74,3% das estatísticas, são falsas.

G, o sábio

domingo, outubro 26, 2003

Dolce far niente

Quando for grande quero ser "Assessor de Ética". G, o Ético

Não é gralha

A colecção de legendagens eloquentes mostra-se, a cada dia que passa, mais interessante e inesgotável. A última jóia: "penincelina"[SIC; 22/10/2003; "Grande Reportagem"; Tradução de G. T. - Moviola].
"penicilina" é uma palavra vulgar. Quem consegue dar dois erros numa palavra vulgar? Os nossos tradutores! (Fiz um estudo minucioso e concluí ser impossível tratar-se de gralha. Quer dizer: está escrito o que se quis escrever.)
Eu comecei por pôr o nome da atleta mas nem vale a pena: são todos iguais.
"penincelina".Pelo sotaque, deve ser da Régua, por ali...
Giro.
Vou guardar na prateleira de cima. Junto com "abecinto".
Arre!

G, o coleccionador

sábado, outubro 04, 2003

Incompetência

Com as manobras da Maria Elisa, resurgiu o assunto, sempre na moda, 'tacho'.
Ao contrário do que possa parecer, não é um bom tacho. Os tachos bons são os tachos miméticos (aqueles que o Manuel Silva nem consegue vislumbrar, mesmo nos momentos de inspiração) e Deus sabe que Portugal está cheio deles. É como o fundo do mar de coral cheio de insuspeitados inquilinos que só se mostram no ataque voraz às suas vítimas. O tacho da Maria Elisa é um tacho desenvergonhado. Não é um bom tacho. Enriquece mas também envergonha quem dele usufrui.
Igualmente e escusado seria referir que a cunha do ministro da educação, não foi uma boa cunha. Foi mesmo uma péssima cunha. O homem nem parece português. Ter mostrado não ter as qualidades e características básicas de um português 'médio' - ser competente em cunhas é uma delas - faz dele um mau representante do povo, e portanto não deve ser ministro.


G, o invejoso

Deus me perdoe

Sabem o que vinha mesmo a calhar?: um fogo em casa de um dos bombeiros de Lamego. Hoje. Grande. E amanhã, outro.

G, o justiçeiro

sexta-feira, outubro 03, 2003

Analfabetos atacam Doutores

Um dos sites fundamentais de Portugal é o Ciberdúvidas da Língua Portuguesa. Desde que uso computadores que tenho este sítio na minha lista de favoritos. A descrição é: "Ter dúvidas é saber. Não hesite em nos enviar as suas perguntas.
Os nossos especialistas e consultores responder-lhe-ão o mais depressa possível."
E confessam que apontam para 48 horas como sendo o tempo máximo de resposta.
Hoje, enquanto andava por lá a bisbilhotar, conheci a palavra "desinências". Em breve, penso vir a conhecer o seu significado.
Descobri também que os mestres são deveras incomodados - tal como eu o sou - pelas traduções enigmáticas; Eles são mais profundos e chamam-lhes "analfabetas". Eis então uma bela discussão, mesmo ao meu jeito de colecionador de legendagens enigmáticas, a rondar o insulto e tudo, que podem ver aqui.
Se as cigarreiras têm futuro, o mesmo não se pode dizer dos prontuários: sitíos destes tornam-os obsoletos. É que as respostas, se bem que às vezes bastante enigmáticas, outras vezes levemente engraçadas, são sempre personalizadas. E ex cathedra. Nível, se bem me entendem. Mas com as traduções quase que estalava o verniz...! Só quem não sabe é que não entende. Ai, as traduções!
Não resisto a mostrar aqui uma frase que uma tradutora proclama: "...Que atire a primeira pedra aquele que se julga infalível a nível profissional."
...
Paula Centeno

Esta afirmação de fraqueza parece contrariar seriamente a minha teoria de conspiração! Mas recordem os exemplos que dei. Quando estamos no nível zero, não se trata de infalibilidade.
Aceito de mau grado que seja essa a justificação para quatro tradutores e mais um revisor científico tenham traduzido "The Rock of Ages" por "a rocha das idades". Apesar de não fazer sentido algum e apesar das maiúsculas e apesar do autor ser o meu herói intelectual, Stephen Jay Gould, e apesar de ser primário (além de evidente no contexto -ver "A Vida é bela", da Gradiva) saber que se estava a falar de Jesus Cristo. Não aceito "abecinto"; "eu faço uns pratos"...
Não sabem nem querem saber nada.
Não merecem qualquer perdão. Merecem sim que lhes devolvamos a consideração nula que têm por nós e pelos autores.

G, o Homo sapiens sapiens

quinta-feira, outubro 02, 2003

Provérbios

Gosto muito de inventar provérbios. O meu preferido é:
"Fins de Março, princípios de Abril."

G, o sábio

Genialidade financeira

Estou muito triste. Ao ver ontem um SG ventil com a lúgubre propaganda que agora os maços de cigarros trazem, disse para mim mesmo: "Há que investir em fábricas de cigarreiras...!" E já me via a contar os €uros da negociata do ano.
Estava contente por ter tão lúcida visão financeira e um futuro tão promissor. Pobre de mim: até os jornalistas da TVI se lembraram disso.
De qualquer maneira há que recordar um novo provérbio de minha autoria: "Vale mais uma coisa mal feita do que mil bem pensadas". Quero dizer que o negócio será de quem o fizer, não de quem o pensar...

G, o génio financeiro

quarta-feira, outubro 01, 2003

Ódio de estimação

O P.R. disse que não é em Agosto que se deve falar de combate a incêndios mas sim em Janeiro. Tudo bem. Eu digo: não é em Agosto que o P.R. deve alertar que não é em Agosto que se deve falar de combate a incêndios mas sim em Janeiro, é em Janeiro que o P.R. (e os outros irresponsáveis) devem falar que não é em Agosto...

G, o abstencionista

Comboio X Escavadora

A minha colecção de coisas extraordinárias merece mais uma nota.
Em 16/09/2003 morreu um homem no Entroncamento em mais um vulgar acidente ferroviário. Bem, não tão vulgar assim: desta vez foi com uma máquina escavadora. Com isto acho que fechamos a lista de "comboio contra..." Faltará "comboio contra mota-de-água"?
Acidentes de comboio são vulgares, comuns, constantes. E isso faz deles extraordinários.

G,o incrédulo