sexta-feira, março 19, 2004

Olhar prò ar

A Astronomia bonita é aquela que se vê a olho nu. sempre foi.
Ao entardecer podemos regalar o espírito olhando Vénus e Júpiter. Um de um lado e outro de outro, a ver quem brilha mais.

G, o astrónomo

Blá blá blá

A PT lá vai ter de oferecer as chamadas nos próximos Domingos.
Engraçado é que daqui vão resultar duas caras de parvo:

-as dos clientes, quando derem conta que apesar disso não têm que dizer;
-a dos génios da PT, que vão descobrir que não perdem nada com isso (1) e que a teimosia de mula com a DECO, era desnecessária.

(1): De facto - e citando Mário Soares - porventura descobrirão que é bom marketing.


G, o publicitário

Prever é fixe

Escreveu Mário Soares no Expresso de 13 mar. 2004:
".. De qualquer modo, a três dias das eleições, este trágico atentado terá necessariamente consequências eleitorais, porventura favoráveis à direita."
Qual terá sido o profundo raciocínio de Soares que o levou, apesar do cauteloso porventura, a antever justamente, o contrário do que aconteceu?
Atrevo-me a arriscar uma explicação:
- É melhor não: ainda faço lembrar o Portas a alguém...

G, a formiga com catarro

A voz do deserto

António Marinho, apontando o dedo à Justiça, vai gritando "o rei vai nu".
Espero que as pilhas que o movem sejam das que duram e duram e duram...

G, o Cidadão

Desgraças aceitáveis

Muitas pessoas morreram, há dias, na desgraçada Rússia. Os terroristas foram dois indigentes. Fizeram-no não por ideais mas para sobreviver. Se fosse a Al Quaeda era notícia para semanas, dada a dimensão do desastre. Como foi a Miséria nunca mais ouviremos falar disto.
Este método, de aceitar com mansa consternação as desgraças evitáveis, está também a ser testado noutro tipo de explosões. A Espanha decidiu recentemente tentar acabar com este tipo de acidentes aplicando este método.

G, o céptico

Bem-feito, Deus me perdoe

O primeiro-ministro francês foi ameaçado de morte. Aparentemente ele quer mandar - é o trabalho dele - na França e os "Servants of Allah, the Powerful and Wise One" não gostaram porque querem ser eles a fazê-lo. Se isto fosse com o burro do Bush não tinha interesse nenhum pois todos sabemos qual seria a resposta que os idiotas levariam. Com os espertos franceses ficamos ansiosamente à espera do resultado deste confronto.
E isto é tudo o que tenho a dizer sobre este assunto.

G, o Gump

quinta-feira, março 18, 2004

Olé!

Depois de me terem sido dados a conhecer os temas que o poeta AMR abraça para gerar os seus perturbadores e lastimáveis versos (ver "Estranho Silêncio (1)" - e todas as outras crónicas do fantástico RAP) e tendo sabido que foram os espanhóis os inventores da esfregona, dei por mim a cismar neste esguio objecto. (do mal o menos: podia-me ter dado para bidés.)
Deixo aqui as minhas congeminações.
A primeira coisa que atrai a minha enevoada atenção é a expressão os espanhóis. Não me parece uma objectiva descrição da realidade. O facto de um qualquer Manolo, inspirado sabe-se lá por que estranha musa, (sim, porque como o demonstram estas linhas, a inspiração pode ser bem caprichosa...) ter concebido tal genialidade, não deve espalhar a culpa por toda a Espanha, mesmo gozando Manolo da cidadania espanhola. Talvez o génio nem gostasse de ser espanhol. Talvez desejasse, como a maior parte dos portugueses de mente sã, ter nascido noutro país, na Nova Zelândia, por exemplo. Bem, não se deve dizer os espanhóis. É uma generalidade excessiva. Para lá de que, assim, se garante um totalíssimo anonimato que Manolo talvez não desejasse. Talvez não só maldissesse o seu país como também ansiasse pela fama, coisa vulgar em gente moderna, sendo-lhe esta, assim, se bem que merecida, cruelmente roubada.
Mas mais ideias me atormentam: Terá sido um homem? Pessoalmente ficaria mais tranquilo se tivesse sido uma mulher. A mulher de Manolo. Isso! Pode bem ter sido. Se calhar, depois de ter tido a útil ideia, decidiu doar os créditos do feito ao marido e garantir assim, segundo acreditaria ela, que jamais sofreria maus tratos, tamanho o sentimento de dívida que Manolo, então, carregaria. Todos sabemos que os espanhóis são dados a espancar as esposas (Não os critiquemos levianamente: no lugar deles que faríamos nós? Interrogação.), daí não seria de todo estranho este altruísta gesto da senhora.
Continuando o meu raciocínio: as espanholas, muito compreensivelmente, tendem a não dar razões aos irascíveis maridos e, consequentemente, muito atreitas a limpezas profundas e frequentes. Disso resultam inevitavelmente, por deficiente conhecimento das extensivas regras de Higiene, Saúde e Segurança do Trabalho, mazelas físicas. A necessidade é muito engenhosa. Daí que, para colmatar as suas maleitas mas continuando a limpar eficazmente, a mulher de Manolo tenha engendrado a esfregona. Não quero parecer o Prof. Hermano mas assim parece-me que a história fica melhor.
Acresce que, se tivesse sido de facto um homem - coisa que eu, já deixei bem claro, rejeito por inverosímil - que dizer das preocupações dos machos espanhóis? Que raio de hombre se preocupa em arranjar maneira de limpar mais facilmente o chão? Não, o homem espanhol tem outras preocupações: trazer a rédea curta à mulher, como já vimos, os toros, a independência da sua região e todo um sortido de festas tradicionais aberrantes que só por si o deixam, geralmente, ocupado por todo o ano - a curar mazelas, em reconstruções e nos preparos da próxima. Não, decididamente o homem espanhol não tem na sua lista de prioridades "arranjar maneira de limpar o chão sem ter de andar de cu prò ar".
Boa! Esta frase fortuita realça outro forte indício de que o assunto é feminino. Notem, se fazem favor, a expressão "de cu prò ar". Já estão a ver. As pobres senoritas, além do infame trabalho, ainda tinham, muitas vezes, de aturar umas investidas dos seus hombres, motivados pela convidativa posição. Isso sim, faz parte daquilo que se espera, e se coaduna, do homem espanhol. Mui macho! Além disso...

[Pronto, já chega. Enough is enough]

G, o Comediante

terça-feira, março 16, 2004

76 visitantes

Regionalismo saudável é, por exemplo, este: Uma página da Net, do Mundo portanto, partilhada por 30 ou 40 pessoas. O Regionalismo fechado, imposto, circunstancialmente contingente, preso a culturas ocas e a tradições desprezáveis, esse não presta.

G, o terráqueo

Acidentes de comboio

Os atentados, como os de Madrid, também são coleccionáveis para "Acidentes de Comboio". Não me canso de dizer: é extraordinário! :-(

(Das traduções já nem dá para falar, são infinitas e omnipresentes. Mas tenho registado e qualquer dia os nomes dos analfabetos ficarão aqui expostos. Erros horríveis em livros infantis, não deviam passar impunes).

G, o coleccionador

Terrorismo

Por agora limitar-me-ei a citar O Abrupto sobre este assunto. Penso também que a reação do PSOE ( E da França e etc etc) é precisamente a inversa da que a situação exige...
Mas tem de ser a valer: o Povo não aceitará a morte vã dos seus filhos. Que morram soldados mas que se vejam resultados... Virar o cu ao inimigo não é uma boa táctica. Mas eu disse que não quero falar deste assunto, para já... Leiam o que Pacheco diz ( de vez em quando também acerta!):

... (está-se já a assistir) ao império de um derrotismo paralisante, de uma defesa do estado de coisas actual, favorável aos violentos, de um abandono de valores e de obrigações, a favor da “paz”, a “paz” do nosso conforto e a “paz” das ideologias.

A mensagem é só uma: matem, mas lá longe, matem os vossos, como sempre mataram, porque isso não nos interessa. Matem os outros, mas deixem-nos a nós em paz. Matem os outros, lá longe nesses sítios intratáveis, matem os israelitas, matem os americanos, mas deixem-nos sossegados. Tirem lá o alvo das nossas costas, que a gente vai correr com o Blair, com o Barroso, com os belicistas da “nova Europa”, e voltar, como disse Prodi, à diplomacia.

Quem entende que se está em guerra, quem sente que se está em guerra, tem que ser agora mais firme do que nunca.


G, o Cruzado

Quid pro quo

Eis aqui um site curioso.

G, o leiloado

quarta-feira, janeiro 28, 2004

Luís

Os bons vi sempre passar
Na vida graves tormentos;
E para mais me espantar,
Os maus vi sempre nadar
Em mares de contentamento.
Cuidando alcançar assim
O bem tão mal ordenado:
Fui mau, mas fui castigado.
Assim que, só para mim,
Anda o mundo concertado.

G, o revivalista

Luar de Janeiro não tem parceiro

Mas lá vem o de Agosto que lhe dá no rosto.

G, o astrónomo

terça-feira, janeiro 27, 2004

Já falta pouco

Sempre que aconteceu ou acontece algo de importante e mau, Sampaio lá vem, aborrecido, declarar que "está preocupado", ponto final, e lá vai ele a sua vida. Desde que foi eleito que faz isto, apesar de só eu ter dado conta. Mas as mensagens subliminares pelos vistos funcionam e já ouve o primeiro fruto desta insistência exemplar do presidente: A Protecção Civil de Setúbal, perante o facto irremediável de estarem condenados, tal como Lisboa, a um destruidor terramoto, em vez de dizer qualquer coisa como "resta-nos rezar, que mais poderemos fazer?...!" declarou solenemente: "Estamos preocupados" e pôs um ponto final no fim. Assunto resolvido, segundo as mais altas regras de boa práctica política portuguesa. Assunto resolvido.

G, o eleitor

Piada

Sua Excelência o Presidente da República Portuguesa ficou afónico, aqui há dias. Foi Deus com certeza, mas não sei qual seria o Seu desígnio: dar-nos uma folguinha ou ajudar o presidente a conseguir o momento mais alto do mandato?

G, o preocupado

quinta-feira, janeiro 08, 2004

Astronomia

Não tive a sorte de ver a fireball que atravessou os céus da península, assustando quase toda a gente. Ainda não consegui saber se caiu ou não alguma coisa, cá em Portugal. Em Espanha, caiu. Eu penso que este meteoro é de origem humana. Lixo espacial ou alguma asneira -que podia ter dado para o torto- de militares. Fiquemo-nos com o espectáculo!
(Quem apareceu na TV, entrevistado sobre o assunto? O Tubarão! (O Srº Eng. Paulo Villaverde; Está velho, raios partam).
A coisa mais bela que se pode ver nos céus continua a ser, de longe, Saturno. Agora é uma óptima oportunidade, pois ele, vaidoso, está com os anéis inclinados de modo que se vê lindamente em toda a sua misteriosa e longínqua beleza.
Deve ser pecado morrer sem nunca ter espreitado Saturno.

G, o astrónomo

Ano Novo, tudo igual

O ano novo começou com um acidente de comboio. Desta vez, taxista versus comboio. Ganhou o comboio. Por esta altura penso que até os mais renitentes já se aperceberam de que é de facto extraordinária, a quantidade de acidentes de comboio.
(Se quiserem podem enviar-me notícias de outros acidentes).

Feliz ano novo.

quarta-feira, dezembro 03, 2003

Vitor Hugo Salgado

O presidente cessante da associação académica de Coimbra tem a minha admiração. É, para mim, o último dos líderes estudantis. (espero que não, que o seu exemplo seja seguido)
Acabei de mandar um email para Acabra, o jornal da associação, dando a seguinte ideia:
Todos em fila a pedir para "prestar declarações" e declarariam um a um, "fui eu quem atou o cadeado, prendam-me." Estão a ver?
Uma bela despedida a um grande presidente de associação académica.

G, o estudante

A paranóia do tempo

Houve um tempo em que o Homem não tinha maneira de medir o tempo. Ele já tinha o conceito de tempo; Já o sabia avaliar (pela observação de acontecimentos específicos) mas não tinha maneira de o medir. E começou a corrida para inventar relógios. Para níveis superiores ao atómico essa corrida está terminada. A medição do tempo é, nos nossos dias, correcta e pública para todo o planeta. Não só isso como toda a nossa vida é agora feita em função dos relógios. Não é de estranhar pois que estejamos rodeados de relógios por todo o lado. Por todo o lado, mesmo. O que é de estranhar é a enorme quantidade de publicidade a relógios, daqueles caros, que se pode encontrar nos media, e que corresponde sem dúvida a uma enorme quantidade de relógios, daqueles caros, vendidos. Dado que estamos rodeados de horas certinhas por todo o lado, quem é que compra tal produto tão evidentemente obsoleto? E que nos diz este facto acerca da natureza humana? Vejamos com factos ao que me refiro: Consideremos a Visão. Seja, aleatoriamente o nº 559 de Nov. 2003. Anúncios de página inteira ,temos: Longines - long jeans, calças compridas Panerai - o preferido dos pane.. Hublot - para os filósofos Boss, Hugo Boss - para os que gostam de dizer o nome à Bond, James Bond GP, Gerard-Perregaux - para os que apreciam fórmula 1 Audemar Piguet - para os criadores de galinhas Zodiac - para os signos de Ar Breitling - para os antigos pilotos, de 1884, perdidos no Triângulo das Bermudas Rado - para os que não sabem dizer os ii Zeno-Watch Basel - para os amblíopes Cross Engineering - para os adeptos da micromecânica que não sabem escrever micromecânica Swatch - para os que gostam de andar com os pertences de outrém.  Encontramos ainda, em meia-página: Oris - para os amantes de rotores vermelhos e finalmente, num modesto mas presente quarto de página: Certina - o preferido pelos executantes de concertina. São 14 no total. Muito mais material do que o usado em mulheres semi-nuas. Deve haver aqui qualquer coisa de errado. Façamos um exercício de imaginação: Imaginemos o suposto cliente destes objectos. Lá está ele, como eu o vejo, sentado no seu local de 'trabalho', sem dúvida um galho de um qualquer instituto desses cuja existência ninguém jamais desconfiará sequer, a ler os reclamos de revistas. Tem o seu relógio de pulso. Não é de todo impossível que, perdido algures nas sua calças, exista também um relógio de bolso, esquecido. Tem o relógio de parede. Há um de secretária, de cristal, muito giro. Tem o do telemóvel e o do computador. A tv tem relógio. O rádio tem relógio, a calculadora tem relógio. Toda a gente que por ali passa está carregadinha de horas certas. E contudo ele vai olhando com indisfarçada cobiça os anúncios da revista que tem em mãos. (Se for uma revista portuguesa - e claro que é, pois o nosso herói não sabe outra língua (aprouvesse aos céus que soubesse português, que também não é o caso) - terá que chegue até ao almoço. Não compreendo isto. tenho a sensação de que me está a escapar algo, ou, o que é pior, de que estou a perder tempo. G, o pontual

Métodos

Provavelmente depois de terem lido o meu post anterior (não se esqueça de que é melhor ler este blog de baixo para cima porque é essa a ordem cronológica) os soldados no Iraque parecem estar a começar a reagir. Começam a carregar-lhes a sério que é o que é preciso - ou declararem vitória e irem para casa, que também não estaria mal.

G, o cruzado